Raquel Trevisan: a mulher no mercado imobiliário e seus desafios

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09/03/2020

Raquel Trevisan: a mulher no mercado imobiliário e seus desafios

Para trazer um conteúdo especial para o dia da mulher entrevistamos a Raquel Trevisan, Diretora de Marketing e Vendas na imobiliária Taperinha em Santa Maria/RS. Ela é também apresentadora do programa “E agora, Raquel?” no Youtube; conteúdo que deu a ela o Prêmio Top de Marketing ADVB/RS na categoria de Comunicação em 2017. Raquel tem se tornado referência feminina no mercado imobiliário, onde atua há 20 anos. Ela também aborda sobre os paradigmas entre mulheres e o mundo dos negócios. 

Atualmente Raquel conta com um evento específico para falar sobre essa relação entre mulheres, vida pessoal e carreira. Confira abaixo a entrevista na íntegra e entenda o posicionamento feminino em relação ao mercado imobiliário. 

Raquel, você pode nos dizer como e porque começou a falar sobre o empoderamento feminino no mercado de trabalho?

Comecei a falar de empoderamento feminino no mercado de trabalho de uma maneira muito natural por conta da minha carreira como gestora. Na Taperinha temos um olhar bem feminino por minha causa, e por isso é uma empresa diferenciada nesse sentido. Alguns anos atrás fiz um curso de empoderamento feminino e tive contato com outras mulheres que vivenciavam em outras empresas realidades completamente diferentes da minha. Episódios de assédio, de não conseguir se manifestar, de não conseguir expor o que pensa, então comecei a falar sobre isso de uma maneira muito natural e percebi que pouquíssimas mulheres se aventuravam a falar sobre mesmo em meio ao século 21.

Muitas pessoas não entendem o que quer dizer a palavra empoderamento e entendem como uma guerra de sexo onde mulheres querem sobressair aos homens. Como você enxerga isso e como explicaria o termo para essas pessoas?

Bom, primeiro vou confessar que eu não gosto muito do termo empoderamento. Acho que como vários outros jargões, essa palavra tomou um caminho que eu não acho exatamente ok. No entanto, como a palavra resume muita coisa, eu utilizo sim o termo empoderamento feminino. Se empoderar é se colocar o poder, é pegar para si o poder de transformar a sua vida. Eu acho que o empoderamento às vezes é colocado numa conotação negativa como algo ligado ao femismo que é diferente do feminismo. O femismo prega a superioridade da mulher sobre o homem e o feminismo prega a igualdade entre os gêneros. Empoderamento feminino é muito mais a gente buscar para si o poder de mudar a realidade onde a gente vive, e isso eu acho extremamente importante e sou extremamente a favor.

Você escreveu no Linkedin o artigo: Ser mulher é F.O.D.A. Um texto que fala sobre o posicionamento de mulheres no empreendedorismo. Você pode falar um pouco mais sobre isso.

Deixa eu explicar essa expressão que criei: na verdade é uma sigla para dizer que a mulher precisa ser Focada, Organizada, Determinada e Amar muito o que faz.  Focada porque eu acho que um dos defeitos da maioria das mulheres é que a gente não é focada. A maioria das mulheres são muito dispersivas. A gente tá no mercado de trabalho, tem a vida pessoal, então como um todo, para conciliar esses multi papéis tem que ser muito focada. Dentro disso a gente precisa ser muito organizada também para dar conta de tudo o que a gente tem para fazer.

Determinada porque a vida com a mulher é bem mais exigente. Por mais que os homens achem que não, a vida para nós mulheres é muito mais exigente e por conta disso é preciso de muita determinação para continuar o nosso caminho. Acredito que seja por isso, e por outras coisas também claro, que muitas mulheres não alcançam os níveis gerenciais das empresas. Porque a gente não encontra apoio e tem que ser muito mais determinada para chegar lá. 

E por último é preciso amar muito o que a gente faz, porque a vida nos puxa para desistir. É muito difícil conciliar três jornadas como as mulheres fazem; a gente está no mercado de trabalho, dá conta da casa, cuida dos filhos, ainda tem que se manter bonita fazer unha cabelo, depilar. Então para dar conta e conquistar objetivos a mulher tem que ser muito foda mesmo. 

Na sua carreira como mulher empreendedora, quais foram os desafios enfrentados e como superou esses obstáculos?

Estou há 20 anos no mercado imobiliário, e é um mercado essencialmente masculino por mais que tenhamos muitas mulheres como corretoras, porém ainda são poucas as gestoras. Não só no setor imobiliário, mas em todos os mercados. 

Quando comecei lá atrás eu ia nos congressos e tinha literalmente meia dúzia de mulheres. Era eu e mais 5, e dessas 5 tinham 3 que eram esposas de donos de imobiliária. Nós estamos em pleno século 21 e vivenciei isso na semana passada. Eu vi um evento que mencionava uma parte da programação especialmente para mulheres, aí eu pensei “que legal também estou incluída”, mas na verdade a programação era para as esposas dos donos que iam ao encontro. Então isso mostra que mesmo nos dias de hoje a mulher é estereotipada, continuamos sofrendo preconceito e superando obstáculos. Ainda temos estigmas a vencer.

Comigo não foi diferente, por mais que todo mundo ache que a grama do vizinho é sempre mais verdinha. Eu como gestora enfrento sim preconceito por ser mulher, não só no mercado imobiliário. As pessoas acham que por ser mulher tem que gostar de rosa, ser meiga, suave, gentil e que a gente não pode se impor. Não foi nem uma nem duas vezes que me olharam como se eu tivesse, que eu disse inclusive “se eu fosse um homem não achariam tão absurdo o que eu estou dizendo” 

Estariam achando normal, mas como é uma mulher se impondo aquilo ainda causa estranheza, comentários e preconceitos. 

Em um vídeo no Instagram você fala sobre saber dizer não. Como isso pode se aplicar na vida das mulheres e o que de bom proporciona a elas?

Acho que isso é um dos grandes desafios da mulher, o saber dizer não. A gente é muito julgada, obrigada há algumas coisas e por isso temos muita dificuldade em dizer não. Na verdade o dizer não é uma forma de enfrentar certos julgamentos. Ao dizer não a gente está causando um desconforto no outro. E ao mesmo tempo meio que botando de lado a convicção de que as pessoas vão nos amar incondicionalmente. Então não é só para as mulheres, para os homens também é difícil, mas acho que para nós mulheres é mais. 

No entanto eu posso dizer que dizer não é algo libertador quando a gente se aceita como a gente é. Nós mulheres não temos que ser igual aos homens, mas devemos ser tratada com respeito de forma igualitária. Eu gosto de ser mulher, e quero ser tratada como igual, não quero ser tratada melhor e nem pior, mas igual, como ser humano qualquer. 

Ainda hoje no mercado imobiliário, você enxerga uma certa desigualdade entre homens e mulheres? As mulheres ainda têm menos credibilidade no mundo dos negócios?

De certa forma eu já respondi essa pergunta anteriormente, mas reforçando sim, nós mulheres ainda não somos tratadas de forma igual. As mulheres cresceram muito no mercado imobiliário. Eu fico muito feliz quando vou à eventos que estão recheado de corretoras, mas ainda é frustrante – não só no mercado imobiliário – ver que nos cargos de gestão as mulheres ainda são poucas. Não penso que seja falta de credibilidade, acho que a mulher tem dificuldade de se impor. Por exemplo, as mulheres tem dificuldade numa promoção. O homem se candidata a uma vaga preenchendo 30% dos requisitos, a mulher só se candidata se tiver 100% dos requisitos. Ninguém é 100% preparado para nada, então nesse ponto de vista os homens são mais arrojados que nós, eles se jogam e se arriscam mais. Então acho que talvez por isso ainda nós vamos ficando atrás dos homens.

Para as corretoras, gestoras, atendentes entre tantas mulheres que almejam seu espaço no mercado imobiliário, que mensagem ou conselhos você deixaria? Que tipo de posicionamento ou atitude é essencial? 

Para encerrar, eu desejo que todas as mulheres que estão no mercado imobiliário, e fora dele, tenham consciência de que nós mulheres temos potencial. Vai sim ser mais difícil para nós do que pros homens, porque a gente tem mais desafios para vencer, seja internamente de ter a confiança de que a gente pode, seja externamente com a receptividade para esses novos papéis que a mulher está desempenhando.

Se for para dar um conselho eu voltaria na questão do F.O.D.A. Primeiro por aí, desse estigma de que a mulher não pode falar palavrão para não parecer vulgar. Tem momento para tudo, mas a gente tem que ser foda mesmo. A mulher vai para três jornadas, a gente se vira com trabalho, com casa, marido, filhos, cuida das amigas e ainda arranja tempo para manter a vaidade dos cabelos, das unhas. Então mulher não esqueça disso, seja focada, objetiva, determinada e ame muito o que você faz. Na vida vai ter muita coisa te puxando para trás, mas não desisti não. Seja lá o que você escolher, seja o seu melhor, mas seja. Se empodere daquilo que você decidiu. 

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